domingo, 16 de maio de 2010

Nosferatu


Mais uma obscuridade germânica vem dar as caras no blog hoje, mas já foi citada (ao menos por alto), por aqui. Nosferatu consegue ser bastante sombrio em momentos, como sugere seu nome, mas em outros se mostra uma banda muito eclética, mesclando passagens de hard rock, psicodelia e jazz, muito jazz.

Lançaram apenas um álbum, homônimo, que é bastante interessante e diferenciado. A gravação é no mínimo tosca, o que já compromete razoavelmente a apreciação do disco, mas observando além disso, observa um grupo inteligente cheio de mudanças, fazendo um belo aproveitamento de todos os instrumentos utilizados.

O disco é bem curto apenas 6 faixas, mas já mostra a que veio, intensos diálogos entre as guitarras cruas e agressivas (chegando a lembrar Hendrix, ainda que momentaneamente), e o órgão que muitas vezes sobressai qualquer outro instrumento, e reproduz riffs poderosos e insensatos, muitas vezes direcionados ao jazz. Há ainda incursão no folk, presente nas flautas, que trabalham de modo quase jazzístico, e os reais e intensos solos de sax, que produzem majoritariamente as sombras do álbum.

O baixista parece bastante influenciado por John Entwhistle do The Who, e consegue conversar bem com a bateria precisa, sem muito brilho.
Os vocais também puxam mais para o blues, o que aumenta a impressão de hard rock, sobre a interessante base jazz, unidas ao folk e as guitarras psicodélicas.
Realmente um álbum bastante completo, se comparado ao seu curto espaço. Apesar da versatilidade, não parece genuíno e único, apenas um belo aglomerado de bons elementos, que sem dúvida alguma, funcionam muito bem juntos.

O destaque fica por conta de Willie the Fox, que está mais direcionada ao heavy jazz, com improvisações bem estruturadas de sax.
“Found My Home” é outra viagem cheia de variações, para quem gosta de órgão, eis aqui um bom ponto, essa também acaba por sintetizar bem o álbum no geral.
“Vanity Fair” tem um riff que gruda na mente, não por ser “pop”, mas por ser excelente realmente, com interessante uso dos sopros e da guitarra, mas permanece nesse esquema com leves variações.

Quanto à biografia fica complicado dizer muita coisa, primeiramente pela pequena quantidade de sites que falam da banda, depois pela minha má fluência de alemão (fiquei preguiçoso no idioma), mas ao que parece o álbum foi produzido também por Conny Plank, o que não se confirmaria com os fatos, afinal suas produções são impecáveis.
O grupo formou-se em 68, mas emergiu e retornou as trevas rapidamente, após o lançamento de seu único álbum em 1970, devido a falta de apoio da mídia.
Uma jóia do progressivo alemão, que merece destaque no blog.

Line-Up:

Michael Thierfelder - Vocais
Michael Win - Guitarra
Michael Meixner - Guitarra, Baixo
Christian Felke - Sax, Flauta
Reinhard Grohe - Teclados
Michael Kessler - Baixo
Byally Braumann - Bateria

0 comentários:

Postar um comentário