sábado, 1 de janeiro de 2011

Os 40 Melhores Guitarristas da História - Introdução

Todo mundo adora listas, seja para criticá-las, ou enaltecê-las até as últimas consequências.  Listas do tipo “Top Prog Álbuns” são a única forma de comparar coisas completamente diferentes e ainda sim, fingir que isso faz sentido. É a forma mais tosca e pouco eficaz de verificar o que é bom e ruim dentro de qualquer assunto.
Dentre essas listas, as piores e com menor credibilidade, são aquelas que falam sobre instrumentistas. “Os melhores guitarristas do mundo” e no primeiro lugar está Slash ou algum correspondente “pop”.
Nada contra o Slash, ele é até um guitarrista competente para as papagaiadas propostas pelo Gun´s Roses. E leiam “papagaiadas” apenas como frutos da personalidade “complexa” de seu vocalista e líder Axl Rose.
Todos já leram o título dessa postagem, que se estenderá por alguns dias. Escreverei sobre os “Os 40 Melhores Guitarristas da História”. 40 para produzir uma lista justa que englobe diferentes músicos e estilos que possa fazer jus aos grandes guitarristas que já caminharam por esse planeta.
Agora falando sobre a escolha desses guitarristas. Bem, infelizmente, como todas essa é uma lista muito parcial e sujeita as variações de humor de quem a elaborou, no caso eu mesmo.
Mas não pensem que lhes atirarei uma lista e pronto. Não, será um texto bonitinho com critérios bem estabelecidos, além de mini-resenhas acompanhando o trabalho do guitarrista em questão, afinal o verdadeiro objetivo por trás dessa presepada é compartilhar o trabalho de músicos excepcionais, diversificando o conteúdo do blog.
Eventualmente cometerei injustiças, deixando de fora alguns ícones, mas isso faz parte do processo, reforçando que essa lista acompanha somente minha percepção torta e meus ouvidos catatônicos.

Então, falemos dos critérios. São bem simples, devo avisar, essa não é uma lista de um músico profissional, apenas de um amante de música e desse fantástico instrumento que revolucionou a cultura popular. Analisarei então técnica, criatividade, originalidade e personalidade.
Técnica aborda o virtuosismo e o emprego das capacidades do músico em suas composições e improvisos, guitarristas que desenvolveram novas técnicas foram privilegiados por aqui.
Originalidade abrange a autenticidade da obra do guitarrista no geral, aquela assinatura artística que nos faz identificar um solo logo ao ouvi-lo. Também atinge as inovações e experimentos do músico, ou seja sua contribuição para o desenvolvimento da música em si, alterando parâmetros e estabelecendo novos.
Criatividade se resume a perspicácia do músico em seus solos e riffs, assim como o ecletismo do músico e sua capacidade em apresentações ao vivo, o quão longe pode ir sem se perder (aliás, nós adoramos quando eles se perdem) e também a amplitude de suas composições.
Personalidade engloba o feeling, as impressões e os sentimentos tatuados pelo guitarrista em seu trabalho, sua capacidade de se adentrar a música e tornar-se parte dela. É, o subjetivo do subjetivo, mas não consigo falar de música de uma forma fria.

Critérios estabelecidos, escudo anti-pedradas erguido e sigamos em frente.

Gostaria de falar um pouco da guitarra em si, antes de falar dos guitarristas, afinal informação nunca é demais.

A guitarra advém de instrumentos de corda similares que já podiam ser encontrados há mais de 5000 mil anos, na Pérsia antiga.
O nome por sua vez, vem da palavra grega “kithára”, cuja tradução seria “cítara”, aquele instrumento aparentado da harpa, que consiste em várias cordas esticadas sobre uma caixa de ressonância, comumente utilizado em música folclórica, com algumas inserções na cultura pop.
 No século IX o instrumento foi introduzido na Espanha, existem duas hipóteses relacionadas à sua origem. O ancestral de nosso violão, pode ter chegado até os espanhóis através dos romanos (e suas adaptações a citara grega) ou através dos árabes (nesse caso teria se originado do alaúde).
 Os espanhóis então teriam desenvolvido o instrumento até o formato acústico semelhante ao que conhecemos hoje, tendo já no século XVIII a apresentação com seis cordas.
O instrumento teve seu espaço garantido até o início dos anos 30. Foi nesse ponto que o jazz começou a se popularizar e surgiram as Big Bands. A pobre guitarra acústica não teria forças para competir com toda a instrumentação das novas “orquestras de jazz”, então iniciaram-se os experimentos para aumentar o volume da guitarra.
Surge na cena George Beauchamp que entre um experimento e outro, inventou o captador magnético. Em seguida Beauchamp e Adolph Rickenbacker desenvolveram a primeira guitarra elétrica, ou algo muito semelhante.
Já em 1935, surgiu a Gibson ES-150, a primeira guitarra elétrica reconhecida.


O instrumento passou a ser produzido e novos experimentos foram desenvolvidos e a guitarra voltou à cena da música, agora com seu timbre mais encorpado.
Então entra em cena Les Paul, um guitarrista pesquisador. Em meados do século passado, criou a primeira guitarra maciça, eliminando a necessidade de uma caixa de ressonância. Mais tarde seria contratado pela Gibson e então sabemos o que acontece. Contemplem a Gibson Les Paul:


Outro importante indivíduo nesse cenário foi Leo Fender, que também testava novos aperfeiçoamentos à guitarra, criando a Fender Telecaster, que mais tarde evoluiria para a pop star “Fender Stratocaster”.


 Agora falemos do uso da guitarra na música popular recente. Hoje qualquer um pega sua guitarra e começa a tocar, afinal os preços são acessíveis e influências transbordam, ainda mais pelo uso da internet.
Mas, dediquemos um pouquinho de nosso tempo para homenagear os grandes guitarristas que desbravaram as fronteiras do instrumento, tornando-o um dos símbolos mais importantes de nossa cultura.
Como alguns já devem ter notado, sou um grande fã de jazz em seus mais diversos formatos (apesar de reter certa cisma contra o jazz deveras melancólico e melodioso de músicos como Stan Getz) e de blues (esse de modo bem generalizado).
Hoje, prefiro ouvir um disco de avant-jazz e fusion e gravações de acid-blues ou suas variações mais pesadas, mas enquanto moldava as bases de meu gosto musical ouvi muito B.B. King, Wes Montgomery, Django Reinhardt, Muddy Waters e por aí vai.
Ainda gosto muito desses nomes citados, da fluidez e beleza do jazz tradicional (prefiro os momentos intimistas à pompa das Big Bands) e da simplicidade e emoção do blues “quadradão”.
São composições realmente tocantes, em alguns momentos, que exalam sentimentos diversos que merecem maior evidência. Portanto, acabei separando certos espaços nessa lista larga, para alguns desses ícones dos primórdios da guitarra elétrica e seu uso nas décadas de 50 e 60.

Mas, admito que a maior parte dessa lista será ocupada por grandes guitarristas do rock e do jazz moderno, entretanto, ressalto a importância dos músicos supra-citados assim como muitos outros como Robert Johnson, John Lee Hooker, Charlie Christian (um dos primeiros “Guitar Heroes”), apenas para ilustrar.

As histórias do rock e da guitarra elétrica se misturaram ao longo do tempo até gerar a simbiose que conhecemos, então nada mais justo do que falar do nascimento do rock. Esse deve ser creditado a Bill Haley com seu popular “Rock Around the Clook”, de 1955. Mas, o negócio engrenou mesmo foi com Chuck Berry, que acelerou o blues e gravou alguns clássicos como “Johnny B Goode” e “Rock and Roll Music”.
Em seguida viriam compositores importantes: Buddy Holy, que criou a estrutura que conhecemos do uso das duas guitarras (solo e base); Eddie Cochran e Carl Perkins que desenvolveram o rockabilly e o esquecido grupo “The Shadows”, com seu rock instrumental inovador e criativo que influenciaria várias das grandes bandas que viriam nos anos 60.

Durante os anos 60, alguns guitarristas se destacaram, em razão do crescimento e desenvolvimento das estruturas do rock. Alguns que não entraram na lista, mas merecem créditos aparecerão por aqui.
Os Rolling Stones foram realmente muito importantes para o desenvolvimento da música pop como ela é hoje. Basicamente definiram todas as estruturas do que viria a ser o pop rock e isso se deve principalmente ao carisma de Mick Jagger e aos riffs de Keith Richards. Keith Richards é simplesmente o maior “riff maker” da história do rock, apesar de Ritchie Blackmore chegar bem perto. A banda tinha outro guitarrista que já faleceu, Brian Jones, que deu um pouco de seu virtuosismo ao mundo, no entanto foi ofuscado pelo poder e a força “elástica” dos temas de Richards.

Então temos George Harrison. Sinceramente, eu não gosto da maioria dos trabalhos dos Beatles, mas seria estupidez negar sua importância. Gosto de “Revolver”, “Sgt. Pepper´s”, “White Album” e algumas outras coisas espaçadas, mas admiro o talento compositivo de Harrison, cujas habilidades foram nubladas pela disputa heliocêntrica de Lennon e McCartney. Suas composições têm um lado bem emotivo, espiritualizado, até meio introspectivo, muito bom de ouvir, meu Beatle preferido (apesar de ter gostado muito do último show do Paul, ainda que assistindo pela televisão).


E por fim, Pete Townshend. Se essa fosse uma lista de baixistas, o The Who estaria representado entre o “Top 3”, relembrando a maestria e criatividade de John Entwistle. Pete, por sua vez, nunca foi expoente de virtuosismo, mas um dos compositores mais memoráveis do rock, basta ouvir a avalanche de “Tommy” (ainda mais poderosa em sua versão ao vivo). Sou um grande fã do The Who, principalmente de suas performances ao vivo (“Live at Leeds” pode explicar esse sentimento de maneira mais simples) e enquanto observava Keith Moon e John como grandes instrumentistas, via em Townshend um gênio atormentado que arrebentava sua guitarra com temas e solos incendiários.


E será daqui, partindo dos anos 60 que iniciaremos nossa viagem pelos maiores guitarristas que tivemos o prazer de conhecer (ou não), relembrando que a ordem das aparições é irrelevante, mesmo se Jimmy Hendrix for apresentado somente na 39º posição, continuará sendo o maior de todos.

No próximo post, homenagearei alguns dos pioneiros que popularizaram a guitarra elétrica dentro do jazz e do blues, espero que gostem.

4 comentários:

  1. São poucos os que realizam esta tarefa consciente. De um lado, estão aqueles que se guiam cegamente por estas listas, por outro, aqueles que a criticam de antemão de forma completamente descabida. A perspectiva intermediaria, na qual listas podem nos auxiliar a pensar a música se não forem tomadas como inflexíveis verdades, é particularmente rara. Acompanharei sua jornada!
    Apenas uma coisa me perturba: Os critérios adotados (técnica, criatividade, originalidade e personalidade) estão ainda confusos.
    A componente técnica oferece menos dificuldades (penso se tratar do caráter mecânico com que o músico utiliza seu instrumento), mas não entendo porque “novas técnicas” são julgadas por esse critério. O fato de uma técnica ser nova, segundo este critério, deve ser irrelevante. A novidade, independente do que seja, deve ser julgada através do quesito originalidade, não?
    No entanto, que a forma com que apresentou a noção de criatividade é pouco intuitiva, perece-me que se pode reduzi-la ao mero desempenho performático do músico, contrariando o caráter composicional com que compreendemos criatividade. Que entender por “perspicácia do músico em seus solos e riffs”? Esta parte da definição de criatividade não se colapsa com a se originalidade?
    O critério da personalidade permanece intacto pela particular indefinição, já que estamos no domínio dos sentimentos (se refere à carga emotiva que o músico consegue transmitir através da música, é?)

    Efim, algumas dúvidas, com sentido ou não, me ocorreram!

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  2. ha....não gosta mesmo de beatles?? Citou três bons álbuns, não achar que só por eles já se pode apaixonar por beatles. Gosto muito também do Magical... de 67 e do Abbey Road, não gosta desses?

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  3. Sem problemas, realmente pode soar um pouco confuso, talvez as palavras empregadas foram mal escolhidas, afinal apontam a significados diversos.

    No caso, novas técnicas entrariam sim para a originalidade, mas isso gera uma dependência entre os critérios, criar uma técnica entra para a originalidade, mas seu aproveitamento e desenvolvimento para o critério "técnica". No momento me soou mais fácil ajuntá-los, mas não acredito que isso virá a invervir em minhas escolhas.

    Criatividade abrange as composições também, adicionarei a informação ao parágrafo.

    Agora quanto o suposto colapso originalidade X criatividade... Um músico pode criar um bom riff ou um bom solo tomando por base alguma fonte de inspiração tangível (outras músicas, ou qualquer coisa), nesse caso seria criativo e feliz em seu aproveitamento, mas não muito original. Um músico que faz uma boa adaptação (releitura, cover) de outra composição, seria criativo, pelo modo como explorou-a ou inovador?

    Sim, personalidade diz respeito principalmente aos sentimentos expressos.

    Dúvidas são bem-vindas e fazem parte do processo, afinal erros por aqui não faltam, desses comentários surgem as melhorias nos textos, fico agradecido.

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  4. Magical Mystery Tour é bem legal, havia me esquecido, resumo ele com "I´m the Walrus"

    Gosto de algumas do "Abbey Road", entra para "algumas coisas espaçadas".

    Pelo jeito ainda vamos discutir vários discos ao longo dessas postagens, hehe

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