Advertência: Esse artigo falará sobre uma banda de death metal, a exposição prolongada a esse tipo de sonoridade poderá causar reações adversas que vão de vômito a falência completa cerebral, leia conhecendo os riscos.
Ultimamente venho ouvindo sonoridades que ultrapassam minha zona de conforto musical. Entre algumas das tendências interessantes que vim a descobrir, encontrei esse virtuoso amalgama entre as vertentes mais extremas do metal contemporâneo e tendências de rock progressivo, ou mesmo de jazz fusion.
O expoente mais notável desse “blend” é provavelmente o grupo sueco “Opeth”, que adquiriu um grande séquito de fãs mesmo entre os círculos de rock progressivo.
Ainda conheço pouco da banda, mas admito que sua sonoridade me despertou pouco interesse. Mas a partir daí ouvi alguns outros grupos como o Cynic, o próprio Gordian Knot do último post, Maudlin of the Well e até Protest the Hero, de sonoridade mais acessível.
Gostei muito de algumas de minhas audições, em especial as referentes à “Maudlin of the Well”, cuja obra de 2009, “Part the Second”, já pode ser considerada um dos clássicos da década que recém terminou (leia mais sobre o CD por aqui).
Entre essas pesquisas me deparei com o pesadíssimo “Born of Osiris”. O grupo tem formação recente, tendo lançado somente 2 EPs e um disco de longa duração (outro está previsto para março desse ano).
A premissa de sua sonoridade vem de mesclar a forma do death metal em seus momentos mais pesados e densos, a leves retoques de progressivo. O resultado: metal interessante, que vale o esforço de ouvir.
Não sou o maior indicado para se falar de metal, então tentarei sintetizar aquilo que observei. A sonoridade promove uma liberação extrema de emoções através de arquiteturas musicais absurdamente técnicas que incluem instrumentação impecável e espetacular uso de recursos heterodoxos a fim de se criar algo novo e inesperado.
Entre os pontos de qualidade saliente, posso ressaltar a complexa estruturação rítmica, que pulveriza a mente de quem ouve através de trocas constantes entre compassos completamente incongruentes entre si. Incluindo ainda pausas abruptas, cortes lacerantes que só reforçam o sentimento de inconstância provocado pela bateria que se desdobra em marcações atraentes que fogem a todo momento do lugar comum provocado pelo popular 4/4. Realmente difícil notar um uso tão inteligente dessa estruturação rítmica que usualmente caí na banalização ou nos excessos.
Rítmica avassaladora se agrupa então a qualidade melódica. O trabalho das guitarras reúne influências do estilo épico do Power metal, unindo-se ao virtuosismo do metal progressivo e a eventual correria do shred, para criar investidas causticas, distorções esparramadas e solos rasantes que envolvem uso elaborado dos modos gregos, muitas vezes fundindo-os para gerar harmonias únicas em constante movimento, elevando a idéia de complexidade a outros níveis.
O trabalho dos baixos não é dos mais geniais, mas cumpre bem sua função, mantendo um piso pesado para as composições sem divagações pirotécnicas excessivas.
Para dar um acabamento de classe, a banda conta com um uso incidental dos teclados que surge em momentos cruciais, entoando desde atmosferas sombrias e claustrofóbicas até passagens pomposas com nuances sinfônicas, quebrando muitas vezes o peso propagado pelo tipo de musicalidade, trazendo camadas instrumentais fascinantes que enriquecem a natureza sonora.
O ponto fraco, realmente, está no uso da voz. Pessoalmente, não tenho nada contra vocalizações guturais, desde que bem empregadas. A meu ver seu uso exagerado limita – e muito – as possibilidades vocais de qualquer músico, tornando-se repetitivas e perdendo sua força e impacto gradativamente. De todo modo é um item que pode ser superado, quando o ouvinte se conectar as metamorfoses instrumentais que se erguem impiedosas ao fundo.
A sonoridade é brutal, agressiva e impactante, mas no bom sentido, atirando sua sanguinolência inescrupulosa sobre o ouvinte através de frequentes contrastes (timbricos, harmônicos e rítmicos) que dificilmente habitam a sonoridade de bandas típicas do gênero.
Indico, a quem se interessar pelas aventuras sonoras de Born of Osiris, o EP “The New Reign” que contém as melhores faixas trazidas pelo grupo até agora, com destaque a “Abstract Art” e “Brace Legs”.
Recomendado aos fãs de experiências extremas e a aqueles que se encontram cansados das mesmas fórmulas desgastadas que ainda constituem o metal “padrão”.


meuamigo
ResponderExcluiradoreiseucoentario sobre o zappa e o programa sobre o don e o truta demais voce realmente sente o que eu sinto obrigado music is the best
zappa é louco mas captain beef heart é totalmente sensaional se o zappa era radical captain é muit
ResponderExcluiro seu comentário foi totalmente diferente e simplesmente em sintonia com o pensamento meu
ResponderExcluiraqui é o Celio som
Eu que agradeço pelo excelente programa de ontem! Vou acessar mais vezes seu blog, muita coisa boa: The Residents, Mike Patton... e outras sandices musicais. Sem falar de Steve Reich, John Cage...
ResponderExcluirMuito bom seu trabalho no blog, abração