segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia de Palhaço - A base do meu mau gosto musical


Entediado numa noite de domingo, resolvi disponibilizar um post adicional pro blog, bem simples, apenas para descontrair.
Quase um ano e meio após a fundação dessa birosca, começo a perceber que venho me posicionando como um sub-crítico, um guia mal formulado do underground, o mais canastrão dos metidos a entendidos de música. Sendo assim, para quebrar o valor imaginário de minhas resenhas, trago-lhes um pouco do meu mau gosto musical, homenageando também nosso querido Phill Collins, que após anos de contribuição para a boa música (e para sonoridades de índole duvidosa), declarou sua aposentadoria. Uma grande saudação a um dos maiores bateristas dos tempos áureos do prog, que tenha um bom descanso.


Para iniciar essa mini-epopéia por tudo que é ruim, trago-lhes, diretamente da Finlândia, o HIM. Sendo sincero, HIM é talvez a banda de pseudo-metal mais pavorosa de todos os tempos. Em sua sonoridade há um amálgama indecifrável entre um sentimentalismo exacerbado (vomitório na certa) e um metal elegante, de ares nebulosos – até góticos, alguns dizem. O resultado é indizível, uma merda de verdade. Vejam a atrocidade que fizeram com o clássico “Don´t Fear the Reaper” do Blue Oyster Cult (é o máximo):



O segundo aborto vem dos anos 80. Sim, esses anos foram difíceis, pelo menos na música mainstream. Emergido diretamente desse meio, surge o ícone do synthpop (que guiaria todos os enlatados do dia-a-dia): os noruegueses do A-Ha. Preciso dizer mais alguma coisa? TAKE ON ME (ainda adoro os vocais dessa faixa).



Sempre critiquei o rock americano (com óbvias exceções), em especial ao de bandas como Styx, Kansas, Aerosmith, porém, gosto da pior delas: Journey. Tudo no Journey é extremamente comercial, mas e daí? Arena Rock serve pra divertir, não é mesmo?



Pra demonstrar que continuo ouvindo porcaria, mostro o “glam pop” (redundância?), “dance rock” dos americanos do Scissor Sisters. A sonoridade é dançante, pegajosa, afetada... Pacote completo. Comecei a ouvir Scissor Sisters quando um amigo me enviou o cover, realizado pelo grupo, da imortal “Comfortably Numb”. Os problemas começaram quando eu gostei...
Aqui o link que sintetiza tudo que há no Scissor Sisters (obs: não posto a versão supracitada do clássico do Pink Floyd por considerá-la extremamente ofensiva, ouçam por sua conta e risco):



Mas, não é só de gringos duvidosos que ocupo meus ouvidos, aprecio muitas catástrofes brasileiras também. Algo que nem eu consigo compreender é minha afeição por César Menotti & Fabiano. Sim, pois não basta ser sertanejo, tem de ser romântico (leia brega), mas muito romântico, o cúmulo da dor de corno, de deixar Lupicínio Rodrigues orgulhoso.



Agora voltamos pra velha guarda. Meu avô era fã de carteirinha de Benito di Paula, algo que foi passado para mim, sendo cultivado de tal forma que vou ouvir “Meu Amigo Charlie Brown” até morrer. Deixando claro que respeito muito o senhor Benito como músico e pessoa, mas é muito cafona, tornando a experiência ainda mais irresistível.



Tirem as crianças da sala, aí vem carga pesada. Entre meus ídolos está... Rogério Skylab. Sim, o “high poet” de nossa literatura. Sou fã de ir a shows, de ter CD... uma desgraça só. Mas vamos aos fatos: Rogério Skylab é um subversor, um dos poucos roqueiros do Brasil que se atreve a experimentar de verdade. Um amigo diz que Skylab de tão “fuleiro” é genial. Sou partidário de outra teoria: Skylab de tão genial é fuleiro. Abaixo um dos clássicos da poesia concreta, do minimalismo, do avant-garde... Ah e esse ano teremos o “swan song” do músico, seguido de um show imperdível em julho.

Eu Chupo Meu Pau


Para dar o tiro de misericórdia nos ouvidos humanos trago-lhes o ícone do pop, a própria expressão do que ocorreu com o rock progressivo tradicional nos anos 80: o Yes. Sim, o Yes. Tudo começou a ruir com “Don´t Kill the Whale” de Tormato, a partir daí foi trilho sem volta em direção ao abismo (excetuando o fantástico “Drama”). O fato é que, nos anos 80 e 90 o Yes deixou de ser relevante musicalmente e artisticamente, para tornar-se em entretenimento e do bom. E não tenho como negar, eu gosto muito disso, tendo inclusive cantado timidamente “Owner of a Lonely Heart” na última passagem da banda pelo Brasil.
Aqui a trinca dos clássicos “pop” do Yes: Don´t Kill the Whale”, “Owner of a Lonely Heart” e “Walls” (notem como vai ficando pior a cada música).

No mais, é isso meus caros leitores, espero, que ainda sejam capazes de nutrir um mínimo de respeito por esse blogger que vos fala, mesmo após esse post revelador e também que compartilhem via comentário, e-mail, enfim o que for, um pouco de seu “paladar auditivo” que não demonstre tantas razões para orgulho. 
Até o próximo texto sério e não deixem de conferir a resenha (e o novo CD) do Faust logo abaixo.
Bom feriado a todos.

6 comentários:

  1. Graaaaaaaaaaaande Apóstolo Evangelista!
    Cara, essa é, definitivamente, a sua melhor postagem desde o início do blog!! rsrsrsrsrsrs
    Nada melhor que o escárnio, o sarcasmo e a ironia nessa assumida auto-sacanagem - existe algo melhor do que saber rir (e bem!) de si mesmo?
    E vou me juntar nessa porque eu também tenho meu lado podrão. rsrsrs
    Skylab só não é considerado gênio porque é brasileiro, porque tem um monte de gringos por aí fazendo pior e tendo muito mais cartaz... Inclusive com os brasileiros! Ê, povinho colonizado da porra! rsrsrs
    Abração!
    ML

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  2. Fala filho de Marte (estou certo?)

    Há de se saber rir, senão ficamos todos muito sisudos e enrijecidos, então o texto passa a ser frio, desprovido de valor. E que posso fazer se "I Don´t Feel Like Dancin´"?
    Rsrsrsrs

    Skylab é muito inteligente realmente, suas entrevistas no Jô são sempre excepcionais (felizmente, o apresentador estava em dias mais "moderados" nessas ocasiões).

    Fazer o que, né? O povo vem de fora recolher influência daqui e ainda sim é melhor ouvir Madonna.

    Abração, depois quero saber mais desse seu lado "podrão"

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  3. Oi Lucas. Ótimo post, que esconde uma ideia extremamente intuitiva mas ainda mais reprimida. Me refiro à distinção entre o juizo de valor e o gosto.

    Talvez esteja errado, mas tenho a impressão que você vislumbra bastante claramente a ideia de que é perfeitamente possivel e legirimo gostar e uma música sem achar que ela seja boa e vise-versa. Isso tem implicações filosoficas infinitas e tenho pensado nisso a muito tempo.

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  4. Sim, eu apoio a idéia de que é possível gostar de algo considerado por si mesmo como "ruim".

    Tal conceito só é estabelecido através de um parâmetro de comparação que torna-se possível graças a experiência. Quando essa experiência é abrangente e vasta, o parâmetro é elevado, isso é básico.

    Se não fosse possível gostar de algo que supostamente está abaixo do nível estabelecido por suas próprias conclusões, todo o rock progressivo dos anos 70 (excetuando alguns casos) estaria perdido pra mim... e pra maioria das pessoas que tem se aventurado pela música erudita contemporânea ou pela vanguarda atual, esse é um exemplo.

    Além disso, tudo postado acima é inevitavelmente muito ruim!

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  5. Olá senhor Lucas, conheci seu blog semana passada pesquisando alguns álbuns e porra, bom blog.

    Pelas suas resenhas conheci alguns albuns do king crimson, e muito bons guitarristas na sua lista dos 40 melhores, valeu mesmo.

    Tipo, tenho procurado blogs com foco em musica e na maioria das vezes só encontro bullshit, um bando de pessoas preconceituosas e conservadoras do tipo "mimimi só gosto de rock, rock não se faz como antigamente", "mimimi só gosto de metal, metal é o mais perto da musica erudita, rock é ruim", "mimimi sou imparcial, mas tudo que ta na mídia é ruim", na maioria das vezes eles fazem reviews desinteressantes e genéricos, mas o seu é diferente, parabéns e continue assim.

    E aproposito, eu também gosto do Skylab.

    Você já escutou diablo swing orchestra? É uma banda sueca de Avantgarde Metal, se ainda não tiver escutado, da uma olhada.

    Até o prox post

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  6. Obrigado, não sei se o blog representa tudo isso que afirmou, mas agradeço realmente.

    Diablo Swing Orchestra? Vou dar uma procurada, o nome não me é estranho.

    Agradeço mais uma vez, e aproveitando, se gosta de King Crimson, encontará muita coisa boa e relacionada aqui pelo blog, dê uma investigada, hehe

    Até mais!

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